Jonas 4: 1 – 5

31/03/2012 16:25

 

            O nosso personagem principal é o profeta e homem de Deus, Jonas. Sua história de vida é um grande exemplo para nossa instrução, sobretudo, porque tem muito a nos ensinar acerca da depressão, devido aos seus intensos conflitos emocionais pediu para si a morte pelo menos duas vezes neste mesmo capítulo de seu livro.

            Passaremos a analisar as possíveis causas de depressão na vida do profeta e algumas mais comuns naqueles acometidos por esta enfermidade da alma. Embora muitas sejam as origens deste mal, nos deteremos apenas naquelas emocionais.

            Aprendamos sua definição, principais características, as possíveis causas, implicações e o tratamento oferecido por Deus:

 *Definição e principais características:

            A depressão como o próprio termo indica é uma baixa ou queda na estrutura emocional do indivíduo, onde o mesmo enfrenta piques de desanimo e desestabilização de suas atividades rotineiras. Atinge a forma como individuo enxerga a realidade, numa linguagem psicanalítica predomina uma pulsão de morte.

            As principais características são a falta de entusiasmo e coragem para enfrentar as demandas laborais de maneira geral.

 Um isolamento persistente beirando quase o autoconfinamento. Por não sentir desejo de trabalhar ou estudar ou até mesmo sair de casa, acaba por haver um afastamento da vida social.

 Em muitos casos a perda da vontade de viver ou desinteresse pelas antigas preferências. O sujeito se sente sem forças até mesmo para lutar pela própria vida.

Transtornos alimentares. Mexendo com os hábitos alimentares podendo levar a falta de apetite ou excesso. O individuo pode desenvolver os transtornos de: bulimia, anorexia ou obesidade.

Forte introspecção. Devido ao isolamento social e a falta de atividades, o individuo se entrega a uma fixação em idéias próprias e recorrentes. Concentra-se na própria dor e sofrimento passando a existir numa espécie de prisão interior.

Doenças psicossomáticas. A relação corpo e mente é indissociável. O corpo padece o que a mente sofre ou cria. Significa que outras doenças podem aparecer como resultados da enfermidade emocional, geralmente não são diagnosticadas por exames médicos.

 *Causas emocionais da depressão de Jonas:

Como já foi dito as causas da depressão podem ser variadas e complexas, no entanto, analisaremos àquelas experimentadas pelo profeta Jonas:

Papel ou profissão em exposição à forte situação de estresse: Quando uma situação se nos apresenta muito difícil ou com grande carga de estresse pode gerar depressão emocional. O medo, a ameaça, a impotência e o problema em si agem como paralisadores da capacidade de resposta de luta. Papéis ou profissões que se expõem a situações de forte estresse tendem a desencadear resultados depressivos. Ex: médicos, bombeiros, professores e etc.

Com Jonas não foi diferente, ele teve de enfrentar seus maiores pesadelos – os ninivitas. O pensamento de ir até sua terra e pregar uma dura mensagem contra eles em si era aterrorizante. Tanto que o profeta preferiu fugir em vez de encarar a situação. E só cumpriu sua missão à dura pena e em seguida desabou debaixo de uma cabana improvisada.

Acúmulo de frustrações: Pessoas submetidas a grandes frustrações tem maior probabilidade de deprimir-se, não se achando capaz o suficiente para superar seus problemas ou situação adversa. Tendem a aceitar o fracasso e a derrota como algo merecido. Exemplos:

a.      Desemprego

b.      Doença ou invalidez

c.       Maus tratos ou falta de trato

d.      Falência ou crise financeira.

Jonas se encaixa perfeitamente neste caso, devido à tamanha frustração sofrida pela não destruição da cidade de Nínive, conseqüentemente pediu para si a morte, dizendo: “Mas desgostou-se Jonas extremamente disso e ficou todo ressentido, falou ao Senhor: Basta, tira-me a minha vida porque melhor me é morrer do que viver” (4:1,3). Há indivíduos que possuem maior dificuldade que outros para enfrentar problemas e reagem muito negativamente.

Cargas emocionais excessivamente pesadas: acontecimentos profundamente dolorosos que conduzem a sofrimentos intensos. Deixam marcas inesquecíveis, são eles:

a.      Rejeição da criança desde a gestação

b.      Traição ou divorcio turbulento

c.       Morte de ente querido

d.      Aborto ou estupro

e.      Violência brutal (seqüestro, acidente de transito grave, vitima de tiros, facadas ou torturas, etc...).

Na maioria dos casos o individuo depressivo sofre também por sentir-se não compreendido na sua dor e/ou sofrimento. Pessoas costumam querer exigir resposta imediata ou não considerar grave o quadro do doente. Além disso, o ressentimento é outro meio de tormento, pois o sujeito vive remoendo seus problemas e se auto punindo enquanto não se permite pensar coisas boas ou até mesmo ter esperanças numa melhor perspectiva futura.

*Como Deus tratou Jonas: Observar a forma como Deus faz o tratamento com o profeta na sua depressão é de grande importância para nosso crescimento. Agora devemos sempre lembrar que existem várias causas e graus de depressão, bem como a reação particular de cada individuo. No caso de Jonas Deus tratou da seguinte maneira:

            Deus conversou com Jonas. A primeira ajuda oferecida pelo Senhor foi estimular o profeta ao uso da fala. O Senhor lhe faz perguntas: “É razoável este teu ressentimento”? Noutras palavras: Fale Jonas! Ponha para fora tudo aquilo que você está sentindo e lhe causa sofrimento. Não se tranque. Compartilhe o que se passa dentro do seu coração!

            Outras passagens das Escrituras encorajam a prática do compartilhamento, entre elas o texto de Tiago 5: 16, que diz: “Confessem os vossos pecados uns aos outros para serdes curados”. A orientação é sempre dividir a carga emocional ou espiritual que nos aflige, e o meio indicado é falar, expor a alguém o que sentimos e o resultado esperado é um efeito terapêutico.

            A psicanálise e a psicologia entenderam a importância da fala livre e da escuta equiflutuante. Esta relação entre terapeuta e cliente, onde o primeiro usa da escuta equiflutuante para ajudar o cliente que se expressa através da fala livre sem direcionamento ou pressão. A fala é sim um dos meios mais eficazes para tratamento do sofrimento psíquico.

            No contexto da comunidade cristã do primeiro século a aceitação e o não julgamento proporcionavam pano de fundo para as pessoas expressarem suas falhas, dificuldades e pecados a fim de serem ajudadas. Por inúmeras vezes no Novo Testamento encontramos os mandamentos “do uns aos outros”, a palavra grega “aleilós”, que indica uma manifestação de amor e cuidado numa comunidade terapêutica. Alguns usos de aleilós: “orai uns pelos outros”, “levai as cargas uns dos outros”, “perdoai-vos mutuamente”.

            Não devemos desprezar a ajuda no tratamento desses sofrimentos psíquicos através do envolvimento com uma comunidade cristã de base, uma célula, grupo familiar ou grupos pequenos. O aconselhamento pastoral é também uma ferramenta muito útil para pessoas que carregam conflitos e crises interiores. Além de que não se deve subestimar o tratamento com um profissional na área das ciências da psique (psicólogos, psicanalistas ou psiquiatras).

            Deus levou Jonas a resignificar seu sofrimento. Jonas estava demasiado concentrado em seu sofrimento, nas palavras do texto seu desgosto extremado, enquanto isso Deus o fazia ponderar suas reações, vejamos: “Você ficou triste por causa da morte de uma planta”..., “E eu não haveria de ter compaixão de 120 mil homens sem discernimento entre o bem e o mal”? (4: 10, 11). A forma como vemos o mundo influencia nossa saúde emocional ao passo que o inverso também. Portanto é necessário atribuir outros significados a determinadas situações para que haja superação da dor provinda da alma.

            O profeta precisava enxergar o comprometimento de seu relacionamento com as pessoas e o meio devido sua doença. Na visão dele tudo estava ruim, os problemas eram maiores do que na verdade se mostravam ao passo que Deus quer lhe mostrar que ele não é o centro do universo, muito menos que o isolamento era a melhor saída. Enquanto ele se via entre estranhos e no pior lugar do mundo, Deus tenta lhe mostrar que os ex-inimigos agora são irmãos na fé. Que de ameaçadores passaram a ser gratos pela sua pregação.

            Dessa forma o profeta tinha até motivos para comemorar o sucesso de sua missão. Tinha razões para se alegrar pelo fato de que fizera parte de um propósito maior e mais elevado de Deus, pois para isso tinha sido vocacionado não para cumprir seus desejos particulares, mas as ordens divinas. Se ele tivesse enxergado doutra forma sua reação teria sido diferente. Voltaria para casa com o coração cheio e certo de que pelo menos naquela geração sua pátria não teria guerras contra os Assírios.

            O Senhor buscava respostas do interior do profeta, instigava-o a encontrar dentro de si essas verdadeiras e novas razões de ser. O desafio era dar um novo significado diferente do que até agora tinha atribuído a cada situação de sua vida nestes episódios. Portanto, cabe a nós aprendermos com tudo isso e desenvolver a capacidade de nos reinventarmos diante da dor, da perda e do infortúnio. Não podemos nos cristalizar em sentimentos auto destrutivos. E apesar da fase difícil que vivamos, certamente passará e com ela uma nova visão de mundo e de ser poderá surgir.

            Deus desafiou Jonas a encontrar outros motivos para viver. Embora Jonas pedisse a morte, Deus pretendia outra coisa – a vida para seu servo. Não era tempo de morrer, mas de vida. Uma cidade inteira tinha acabado de ganhar a vida e o profeta pedia seu fim. Por motivos que Deus não considerava nem justos nem sensatos.

            O Senhor cria circunstancia para que ele encontre outros motivos para ser feliz ou para sentir prazer na vida. O meio de aflorar suas emoções foi criando uma plantinha que protegeu seu corpo contra o Sol (4: 6).  Embora sua dor fosse forte para ele, Deus oferecia oportunidade para que veja que é possível sentir-se feliz noutras estâncias da vida.

            Mesmo que na depressão o individuo sinta que o mundo acabou e que não há mais porque viver, Deus lhe mostra que a vida é surpreendente e que a cada momento o inusitado, o belo e o bem podem renovar esperanças. A planta lhe ofereceu prazer e refrigério ainda que momentâneos, no caso ela serve como aperitivo de como a vida pode apresentar coisas boas e que justifiquem a sobrevivência.  

            Tantas pessoas desistem da vida por causa de acontecimentos que não podem ser mudados ou trazidos de volta. Condenam toda a sua existência à vegetação não se permitindo mais serem felizes de forma alguma. Tal postura não deixa de ser uma auto punição, onde a recusa por se deixar tocar ou penetrar por algo bom e libertador, preserva a dor e a lembrança do triste acontecimento com uma ligação que prende ao elo/objeto perdido. Era disso que Deus queria libertar o profeta Jonas.

*Conclusão:

            A depressão do profeta Jonas chegou a níveis quase irremediáveis. Lamentavelmente não sabemos o fim da sua história, talvez para que haja espaço de continuação com a nossa própria. Contudo, ficam aqui registrados seus sintomas, manifestações e o tipo de tratamento que Deus ofereceu ao seu servo. Tratamento este que apresenta princípios universais que contribuem para o soerguimento de qualquer um que indique níveis leves e iniciais de depressão.

            Jamais podemos esquecer a importância da fé em qualquer esfera da vida humana, portanto, seja qual for à ajuda que você se valer, busque a Deus e desenvolva uma relação intima e duradoura com Ele. Deus o ama e quer que você viva de maneira santa e feliz.

 

+ Revmo. Dom Raniere Campos

“Ad Magnum Dei Gloriae”

         05/11/2010

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